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Agropecuária e Serviços lideram Recuperações Judiciais no Brasil

  27 de Abril de 2026

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Em 2025, o cenário das recuperações judiciais no Brasil revelou um dado especialmente relevante: os setores da agropecuária e de serviços passaram a concentrar a maior parte das empresas envolvidas nesses processos, evidenciando uma mudança importante no perfil da crise empresarial brasileira. Segundo os dados divulgados a partir do Indicador de Falências e Recuperações Judiciais da Serasa Experian, a agropecuária respondeu por 30,1% dos CNPJs em recuperação judicial no ano, com 743 empresas, enquanto o setor de serviços apareceu logo em seguida, com 30%, equivalentes a 739 empresas. Na sequência vieram comércio, com 21,7%, e indústria, com 18,2%.

 

Esse quadro demonstra que as dificuldades econômico-financeiras deixaram de se concentrar apenas nos setores tradicionalmente mais associados ao endividamento empresarial e passaram a atingir, com força crescente, atividades fortemente dependentes de crédito, fluxo de caixa e estabilidade de demanda. No caso do setor de serviços, o peso elevado nas recuperações judiciais reflete justamente a vulnerabilidade de empresas expostas à retração do consumo, ao aumento do custo financeiro e à compressão de margens operacionais. Já a agropecuária, além de ter assumido a liderança, apresentou crescimento expressivo de participação ao longo dos últimos anos, saltando de 1,3% dos casos em 2012 para 30,1% em 2025, o que evidencia uma transformação estrutural no mapa setorial das recuperações judiciais no país.

 

No agronegócio, a deterioração é ainda mais visível quando se observa a série específica do setor. Em 2025, o agro registrou 1.990 solicitações de recuperação judicial, entre produtores rurais pessoa física, produtores rurais pessoa jurídica e empresas ligadas à cadeia produtiva, o que representou alta de 56,4% em relação a 2024 e o maior volume da série histórica iniciada em 2021.

 

Esse movimento setorial se insere em um contexto mais amplo de agravamento da fragilidade financeira das empresas brasileiras. Em 2025, o país registrou 977 processos de recuperação judicial, alta de 5,5% em relação ao ano anterior, envolvendo 2.466 empresas, número recorde e 13% superior ao de 2024. A Exame destacou que isso equivaleu, na prática, a mais de 100 empresas por mês buscando proteção judicial, em um ambiente marcado por crédito caro, maior seletividade bancária e demanda desigual entre os setores.

 

Assim, os dados indicam que a liderança de agropecuária e serviços nas recuperações judiciais não é episódica, mas sintoma de uma reconfiguração relevante da crise empresarial brasileira. O agro aparece como o setor mais sensível à combinação entre risco climático, volatilidade de preços e endividamento financeiro, enquanto os serviços continuam altamente expostos à desaceleração econômica e à restrição de crédito. Em conjunto, ambos os segmentos concentram hoje o núcleo mais visível das tensões econômicas que vêm pressionando as empresas no Brasil.


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