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Justiça aceita recuperação judicial do Jockey Club de São Paulo e suspende dívidas de R$ 19 milhões

  03 de Outubro de 2025

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A Justiça de São Paulo deu um importante aval ao Jockey Club de São Paulo ao aceitar seu pedido de recuperação judicial. Com essa decisão, que suspende todas as cobranças contra a entidade por um período de seis meses, o clube ganha tempo para reestruturar suas finanças e evitar a falência. A entidade, que acumula uma dívida de aproximadamente R$ 19 milhões, terá até 60 dias para apresentar um plano de recuperação detalhado, que será avaliado pelos credores.

 

Este caso destaca a complexidade dos desafios enfrentados por instituições tradicionais, com mais de 150 anos de história, em meio a uma crise financeira agravada pelos efeitos da pandemia de COVID-19, dívidas fiscais e conflitos com a prefeitura de São Paulo. O clube também enfrenta questões relacionadas ao valor de seu terreno, que a administração municipal avalia em R$ 95 milhões para abatimento de dívidas de IPTU, embora o clube discorde dessa avaliação, alegando que seu valor é muito superior e que deve pagar imposto sobre propriedade rural (ITR) devido às atividades rurais realizadas.

 

A decisão judicial reforça a relevância econômica e social do Jockey, além do seu valor histórico para a cidade de São Paulo. O juiz Jomar Juarez Amorim, da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais, destacou a importância de se preservar a atividade do clube, e a sua relevância como agente de geração de riqueza. A administradora judicial nomeada, Joice Ruiz, iniciará a elaboração do plano de recuperação, que precisará ser aprovado pelos credores em uma assembléia.

 

Entretanto, a prefeitura continua com seu plano de transformar o terreno do Jockey em parque, utilizando a avaliação de R$ 95 milhões para abater parte da dívida de IPTU, uma disputa que segue na esfera administrativa e judicial. O clube também contesta a cobrança, alegando que, por desenvolver atividades rurais, deveria pagar o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) e não IPTU, além de contestar o valor do terreno avaliado pelo município.

 

Este cenário de crise revela as dificuldades enfrentadas pelo Jockey de São Paulo nos últimos anos, influenciadas pela redução do interesse pelo turfe, inadimplência dos sócios e dificuldades financeiras que afetaram sua operação, pagamento de prêmios e relacionamento com criadores e funcionários.

 

A recuperação judicial representa uma oportunidade de reestruturação, mas também reforça a necessidade de uma gestão financeira eficiente, diálogo com os credores e uma estratégia clara para manter a atividade e o legado do clube.

 


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